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As correntes de jato, Jet Stream.

Fev 10, 2020 | Clima, Notícias

“Uma corrente de jato é todo e qualquer fenómeno em que um fluxo de ar se desloca num determinado sentido a grande velocidade.”

As correntes de jato formam-se em áreas com grandes diferenças de pressão atmosférica horizontal, ou seja, tomando um nível de altitude fixo, a pressão atmosférica varia de forma significativa entre pontos a esse nível.

Isto, em conjunto com a força de coriolis, gera um intenso fluxo de ar.

As correntes de jato mais conhecidas são o jato polar e o jato subtropical, que fazem parte de um grande cinturão de ventos de oeste que afetam a alta e média troposfera nas regiões subtropicais e temperadas, de forma geral entre os 25ºN e os 55ºN no nosso hemisfério.
Estas correntes variam de latitude e de comportamento com as estações do ano, sendo em geral mais fracas e mais a norte no Verão e mais fortes e a sul no Inverno.

É devido a estas correntes de jato que os voos em sentido para oeste costumam durar mais tempo ( ventos contrários ) enquanto que os voos com sentido a leste são mais rápidos ( ventos a favor ).
Há ocasiões em que os ventos dentro destas correntes de jato superam os 300-400km/h, o que faz com que os aviões se consigam deslocar a velocidade superiores à velocidade do som isto em relação à superfície da terra.

“Existem vários tipos de corrente de jato, com diferentes escalas temporais e geográficas… estes jatos de ar a elevada velocidade são importantes para uma série de fenómenos na atmosfera.”

As correntes de jato polares e subtropicais são também  responsáveis pela génese e deslocação dos sistemas atmosféricos. Ondulações no seu seio originam perturbação no fluxo da atmosfera que causam correntes verticais, estas alimentam a génese de ciclones ou incentivam a formação de anticiclones consoante o fluxo em altitude favoreça movimentos ascendentes ou descendentes respectivamente.

Existem, no entanto, outras correntes de jato:

Nas regiões tropicais, as monções geram correntes de jato. Na estação chuvosa as correntes são forçadas pelo aquecimento das regiões continentais,que induzem a formação de grandes complexos de trovoadas, estas trovoadas e as diferenças de pressão e temperatura entre o continente e o oceano geram o que se chama uma corrente de jato de baixos níveis que transporta ar do oceano para terra.

Durante a estação seca ocorre a formação de uma corrente de jato de direcção exatamente oposta, com o estabelecimento de ar estável e mais frio nas áreas continentais, e ar mais quente e instável no oceano, o vento roda e o ar estável é direccionado para o oceano pelos gradientes de temperatura e densidade que se formam.

Dentro de sistemas de baixa pressão temos outro exemplo de corrente de jato, quando tempestades intensas se formam, correntes de jato opostas obrigam a convergência e “colisão” de massas de ar quente com massas de ar mais frias, estes processos levam á formação de intensas áreas de instabilidade.

Ainda outro exemplo é a formação de correntes de jato devido a cadeias montanhosas. Por exemplo, na península balcânica, no Inverno, massas de ar muito frias formam-se do lado da Europa de Leste enquanto que no mar Adrático e na Itália ocorre ar mais ameno.

As diferenças de temperatura geram ventos que sopram frequentemente do lado frio das montanhas para o lado mais quente ( ventos catabáticos ), e estes ventos são por vezes canalizados pelos vales das montanhas, formando correntes de jato que podem ser extremamente violentas mas que são de pequena dimensão.

As correntes de jato são, assim, fenómenos interessantes e com uma série de consequências… um exemplo de fenómeno que à partida parece simples mas que depois  adquire uma complexidade cada vez maior á medida que analisamos com detalhe.

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