– A meteorologia e os aeroportos em Lisboa –

A meteorologia e os aeroportos, ambos temas que andam de mãos dadas. Vamos deixar aqui a nossa reflexão sobre o caso de Lisboa.

Primeiro, a “TEORIA” :

Os aeroportos e as suas pistas têm de ser construídos de forma a que os aviões possam aproveitar os ventos dominantes.
Isto funciona com base em 3 princípios muito simples:
– Um avião precisa de descolar contra o vento, dado que isto ajuda o avião a ganhar sustentação.
– A aterragem também deve ser feita contra o vento, dado que isto facilita a travagem e possibilita um melhor controlo.
– Em casos de ventos laterais, a estabilidade do voo é mais reduzida e o avião está sujeito a maior risco.

Por outro lado, os aeroportos como fonte de poluição atmosférica, devem ser monitorizados… o ideal é perceber para onde essa poluição é arrastada, por via dos ventos dominantes, e se há risco para a saúde das pessoas.

Idealmente não se deveriam construir aeroportos muito perto de áreas urbanas, especialmente se estas estiverem a jusante do aeroporto no sentido dos ventos dominantes.

Hoje em dia temos ainda outra questão importante, relacionada com a meteorologia/clima, que são as alterações climáticas.

As alterações climáticas têm um impacto duplo, por um lado as alterações da circulação da atmosfera podem mudar os regimes de vento locais, “estragando a vida” de aeroportos que foram projectados com pistas orientadas a um certo rumo mas que se deixam de adequar.
Isto faz com que qualquer aeroporto novo deva ser concebido tendo em conta cenários de evolução climática.

O outro ponto é a subida do nível do mar… é boa ideia não construir aeroportos em áreas de maior risco de alagamento, especialmente a cotas inferiores a 5 metros de altitude, se quisermos garantir períodos de operacionalidade longos.

Depois da teoria vamos então analisar o caso de Lisboa.

O aeroporto Humberto Delgado está localizado bem perto, a norte/nordeste do centro de Lisboa… tendo em conta que os ventos dominantes são de norte, arranjamos logo aqui um problema que é a dispersão de poluentes e ruido para sul mesmo em cima da capital. Infelizmente há muito pouca literatura sobre a poluição em Lisboa resultante do aeroporto… mas convinha pensar seriamente na questão!

O Aeroporto Humberto delgado tem duas pistas, uma orientada de sudoeste para nordeste e outra de sul para norte.
O conjunto das duas pistas oferece segurança quer em situações de nortadas ou ventos de norte/nordeste, quer em situações de temporais de sudoeste. Estes dois rumos são os que mais influenciam Lisboa ao longo do ano.

No entanto surgiu a ideia de fechar a pista voltada a norte e deixar apenas a que está voltada a nordeste e a sudoeste…. ora, isto gera aqui uma questão que tem a ver com a segurança em dias de vento de norte e noroeste, já que os aviões vão ser obrigados a aterrar e descolar de lado para o vento… talvez não seja uma ideia das melhores, mas aparentemente é o que se tem de fazer para poder aumentar a capacidade de parqueamento do aeroporto. ( Deixar um aeroporto grande apenas com uma pista também pode ser arriscado caso haja algum problema com a dita pista, não haverão soluções… ).

Surgiu nos últimos anos a ideia de construir um novo aeroporto no Montijo.

O aeroporto ficará situado onde temos agora a base aérea numero 6, uma base com 2 pistas, com orientações parecidas ás do aeroporto Humberto Delgado… bastante bem orientadas para os padrões de ventos dominantes na região.
Parece-nos, assim, vital manter estas duas pistas operacionais!

Aproveitar esta base aérea, apesar de poupar a construção de uma empreitada inteiramente nova com os riscos inerentes, implica, ainda assim, aumentar as extensões pistas, que são mais pequenas do que as do Humberto Delgado, e construir um terminal civil.

No campo da geografia onde o novo aeroporto será implantado, a BA6 tem o mesmo problema do Humberto Delgado, que é estar a norte de áreas bastante populosas, para onde os ventos dominantes irão arrastar poluentes e ruído. Ainda assim a distancia ás áreas residenciais é maior do que no caso de Lisboa.
A BA6 também está perto de áreas de nidificação de aves, o que representa um risco de “bird strike”, devem assim ser tomadas medidas de prevenção!

O ponto relativo à poluição tem ainda uma agravante, ao ser localizado num território baixo e susceptível a períodos de estratificação vertical das massa de ar, a BA6 poderá gerar poluição mais difícil de dispersar do que a do Humberto Delgado, inserido num ponto mais alto e exposto… valerá a pena estudar a  fundo esta questão!

A BA6 tem ainda a questão de estar mais perto da cota do nível do mar do que o aeroporto Humberto Delgado, com maior parte da sua área entre os 5 e os 15m de cota. Há que garantir que todas as infraestruturas principais se mantenham a cotas de pelo menos 5m, para evitar problemas no contexto actual de subida média do nível do mar ( 4mm/ano ) e eventuais situações de marés de tempestade.

Há que relembrar no entanto que uma subida de cota do mar de 2m significaria a inundação em todas as marés altas de grande parte da baixa Lisboeta e da base aérea de Alverca, que são áreas em muito maior risco imediato do que a BA6.

Então em que é que ficamos? Na verdade o tema não é simples, e ao que parece temos aqui problemas de parte a parte com estas duas plataformas aeronáuticas, pelo menos no que diz respeito à nossa área de estudo.

Uma  série de factores deverão ser tomados em conta aquando destas decisões, e o que temos de exigir como cidadãos é uma garantia de que aquilo que é feito é baseado em evidencias e na melhor ciência disponível.

Pontos positivos e negativos serão sempre sujeitos a debate em qualquer grande obra, mas há que ter em conta o balanço dos dois e há que pensar sempre em como mitigar os efeitos negtivos.

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