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Águas quentes no Atlântico.

Mai 12, 2020 | Clima, Notícias

“Águas mais quentes no Atlântico trarão impactos no clima”

—Águas mais quentes nas últimas décadas devido a factores naturais e humanos.

Águas mais quentes no Atlântico nas últimas décadas, trarão alterações ao clima e comportamento da atmosfera.

Estamos a viver um período caracterizado pela ocorrência de temperaturas oceânicas elevadas no Atlântico.

Este período é normal e está associado à fase quente da oscilação multidecadal do Atlântico Norte, um fenómeno relativamente bem estudado.

A oscilação multidecadal do Atlântico norte trata-se de um ciclo de aquecimento e arrefecimento das águas do Atlântico causado por flutuações mais ou menos periódicas nas correntes oceânicas e na circulação atmosférica sobre o Atlântico, que jogam entre si num equilíbrio constante.

O que não se sabe muito bem, ainda, é como é que os ciclos da oscilação multidecadal do Atlântico (AMO) se vão comportar face às alterações climáticas globais, que estamos gradualmente a observar e que estão a ser cada vez mais acentuadas, à medida que nos aproximamos da barreira dos 2ºC de aquecimento e 500ppm (partes por milhão) de CO2 atmosférico.

 

“O aquecimento do Atlântico é algo que estamos a observar, um efeito potenciado por factores naturais e de origem humana que trarão impactos no comportamento do clima. Teremos mais situações de tempo extremo e mudanças nos padrões climáticos regionais. “

Bastante visível as subidas e descidas da temperatura no Atlântico associadas à oscilação multidecadal do Atlântico norte. Também se nota a tendência global de subida devido ao aquecimento global.

— Efeitos da acção humana, quais as tendências para o futuro?

Esta fase quente atual até poderá normalizar um pouco caso o Atlântico arrefeça durante o ciclo mais frio, que deverá ocorrer em meados deste século… só que também é possível que o ciclo mais frio não aconteça na plenitude.

Devido à  maior abundância de gases com efeito de estufa, o aquecimento da baixa troposfera e ( por efeito ) do oceano, poderá evitar que a fase fria da oscilação multidecadal não se venha a produzir.

O que é que vai acontecer? Não há certezas absolutas mas há tendências, algumas já observadas, que nos mostram possíveis cenários.

Temos observado nas últimas 2 décadas uma tendência de intensificação dos furacões nas regiões subtropicais, fora das áreas clássicas da sua ocorrência.
Ou seja, mais atividade a norte e nordeste no Atlântico Central, e menos atividade junto aos trópicos e à América do Norte.
Temos também observado um aumento da intensidade média de cada tempestade.
Este sinal é, à partida, relativamente normal tendo em conta a fase quente da AMO, mas deverá/poderá acentuar-se devido à influência humana no clima.

Outro efeito deste aquecimento do Atlântico prende-se com o fortalecimento das monções no Sahel em África…mais chuvas e tempestades fora do comum nestas regiões trarão impactos, alguns positivos como o aumento da produtividade biológica, e outros negativos como o aumento das situações de risco meteorológico ou a propagação para norte das doenças tropicais.

Teremos ainda mudanças na circulação atmosférica nas latitudes médias, com mais calor retido no oceano as tempestades serão mais fortes, mas também se irão comportar de forma diferente daquilo que estamos habituados. Novos padrões climáticos irão surgir.

Na última década estas tendências observadas foram claras, estamos a falar de algo já observado, não de previsões ou especulação.

Para aconselhamento mais detalhado convidamos os interessados a contactarem diretamente os nossos técnicos por email via [email protected] .

https://www.researchgate.net/figure/Schematic-diagram-for-the-teleconnection-between-Atlantic-multidecadal-oscillation-and_fig3_318296653

https://phys.org/news/2019-07-summer-eurasian-nonuniform-atlantic-multidecadal.html

https://scripps.ucsd.edu/biblio/atlantic-induced-pan-tropical-climate-change-over-past-three-decades 

Águas mais quentes no Atlântico trarão mudanças na circulação atmosférica que influenciam o clima de Portugal.

A subida da temperatura oceânica ( AMO positiva ) está relacionada com eventos de circulação atmosférica mais caóticos ( NAO negativa ) e difíceis de prever, com mais situações extremas de chuva/seca ou calor/frio.

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